uma ação
de resistência cultural
enquanto o mundo assistia a transição vertiginosa do vinil para o CD e a chegada silenciosa do MP3, em algum lugar entre as montanhas e o mar da Ilha de Santa Catarina, nascia uma ação concreta, um movimento tímido mas com postura questionadora, debochada e atrevida. não era apenas um selo. era um manifesto. o Micróbio GravaSons surgiu com uma missão audaciosa: viabilizar o primeiro registro de quem tinha o que dizer, mas não tinha grana para bancar sua estreia, não tinha como gravar... o selo foi um ponto de apoio seguro para bandas e músicos estreantes, transformando a Ilha, que era chamada de "Paraiso das Bandas Cover", em um epicentro de composição, experimentação estética e política.

sobre o
passado recente
imagine a cena da Ilha na metade dos anos noventa, com dezenas de bandas produzindo seu próprio material, se revezando em pouquíssimos espaços para apresentação e na hora de registrar seus trabalhos enfrentavam preços proibitivos dos poucos estúdios de gravação que haviam na época.

erudito
popular marginal
por outro lado as instituições oficiais promotoras de “políticas culturais” eram dirigidas por mentes com uma visão “clássica” (Europeia) do que era arte ou cultura. para esses indivíduos, o que era “popular” precisava estar vinculado ao folclore tradicional, especialmente ao açoriano ou ao mundo "erudito" da música. fora disso, não tinha valor... a arte deveria ser clássica erudita ou um produto “nacional” moldado por arranjos entre grandes produtoras, redes de comunicação com propriedade cruzada
e seus grandes anunciantes.
é neste contexto que o Micróbio GravaSons começou a atuar, sem um centavo na mão mas com a determinação de agir ao invés de apenas ficar reclamando, trapézio sem rede de segurança...

a produção musical na ilha vivia um verdadeiro fervor, repleta de ritmos variados, talento em composição, harmonia, músicos e vocalistas de alta qualidade. no entanto, não havia políticas por parte dos órgãos oficiais para canalizar essa energia, aproveitando o momento para promover a geração de trabalho e renda através da produção musical, incrementando a economia local.
a lógica de editais ainda sequer havia começado e as vantagens oferecidas pelos poderes públicos, eram distribuídas na visão “clássica-erudita-folclórica” do que constituía arte ou cultura, levando em conta, principalmente, as relações de “compadrio” entre alguns artistas e gestores culturais.

sem patrocínio
ou paitrocínio
só com muito bom humor para o bando seguir em frente ouvindo "não-atrás-de-não" e absurdos, inclusive de parte dos músicos, quando ouviram a proposta para um Sistema de Gravação Cooperativada: "Cooperativa é coisa de pescador"... tanto foi, que o convite para a festa de lançamento do selo, realizada em 1996 no antigo "Café Matisse" (CIC-Florianópolis) foi um deboche assinado pela "PicaretAssociados" uma "joint venture" do bando da Cia de Cultura e Micróbio GravaSons
a importância de contar essa história
vamos reviver essa breve, mas intensa, ação de resistência cultural que nos anos 90, inspirada no "faça você mesmo" da prática punk, trouxe uma nova visão para a produção musical e cultural na Ilha de Santa Catarina. essa abordagem permitiu que músicos locais estreantes se expressassem e divulgassem seus trabalhos de forma alternativa... foram mais de 90 fonogramas produzidos, sete álbuns assinados pelo selo, shows, cursos, oficinas de produção, fóruns e seminários para discutir a produção musical como fator de incremento na economia local.

o livro conta essa trajetória do primeiro acorde gravado à influência direta na cena local, até seu último derradeiro esforço e tem lançamento programado para Julho/26. precisamos da sua participação para colocar essa história no papel! se você viveu aquela época, se tocou em uma das bandas que de alguma maneira se envolveu com o selo ou se simplesmente acredita na força da música catarinense, junte-se a nós.


